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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Viver intensamente?



Se embriagar de todos os segundos,
de todas as pessoas,
de todas as histórias
Se apegar,
Desapegar...
Não se permitir ao fixo,
nem se abandonar ao fluxo...
Partir,
Mas querer ficar...
(Maristela Campos) 

sábado, 4 de dezembro de 2010

MOMENTO EPIFÂNICO...



Ontem quando voltava da casa da Jacque às 21h27min, somos abordadas por dois garotos, um de aproximadamente 16 anos, este ainda sonhava, o outro de 14 não mais. Chegaram tirando um objeto de dentro dos shorts e perguntaram:
- Tia! Quer comprar esse chinelo?
Nossa reação fora imediatamente um NÃO! E o silêncio imperou como uma forma de autodefesa, não por medo deles, mas sim de nós, da nossa covardia, e do descobrimento das falhas e limitações de tudo que acreditamos...
 Eles Simplesmente assentaram-se, e um deles acendera um cigarro, e começaram a descrever o furto...

 MOMENTO EPIFÂNICO...

"O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença." (Érico Veríssimo)
Poderíamos ter sido indiferentes naquele exato momento e neutralizado este mórbido problema social, entretanto aqueles garotos nos tiraram de nossa zona de conforto exigimos então uma reação, porquanto os olhos deles falavam da perda de uma infância nunca vivida, no entanto a palavras lhes eram totalmente contrarias... Riam e se vangloriavam por terem simplesmente passado a noite em uma delegacia, sentiam prazer como se fosse uma brincadeira pueril. Descreviam sua ex-arma como um brinquedo, como aquele especial que a gente não largava, mas a vida para eles não era uma ilusão, mas sim uma fatídica realidade; sonhavam com o crime, criavam um crime, como uma brincadeira de esconde-esconde. E eles se escondem para nunca mais serem achados. E quem bate a cara somos nós.
                                                  (Maristela Campos)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A SUPREMA FELICIDADE







“Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão." Carlos Drummond de Andrade



  Imagine a beleza desta frase no início da escura película. O filme A SUPREMA FELICIDADE é um paradoxo concretizado entre a infelicidade; um dos melhores filmes que já assisti. Mas na verdade: O que é FELICIDADE? De acordo com o livro "Felicidade Desesperadamente" do filosofo André Comte-Sponville. “A felicidade é todo o lapso de tempo durante o qual a satisfação parece imediatamente possível”.   Então a felicidade não é algo absoluto, mas sim um processo, ou seja, a busca individual em meio coletivo. Há quem diga que o filme abusou das cenas de sexos, abusou do nu, mas quem não busca a tal felicidade em meio as suas lascivas?  Também há quem diga que não havia conexão entre as cenas,todavia sobrevieram à minha memória outros filmes, poetas, poemas e filósofos.
  O filme é narrado no "Rio de Janeiro, 1945. Em uma rua bucólica, Paulo (Caio Manhente), de oito anos, assiste à  festiva comemoração do fim da guerra ao lado dos pais, Marco (Dan Stulbach), aviador da FAB, e da mãe Sofia (Mariana Lima), sorriso largo, sedutora,  cheia de vitalidade,  cabeça feita pelos filmes de Hollywood. Afinal, foi num baile cinematográfico que o casal se conheceu e acreditou que viveria feliz para sempre."
  Entretanto o filme tem poucas chances de sucesso comercial, visto que, há pouco espaço nas salas para filmes como este.
 Elenco: Marco Nanini, Dan Stulbach, Mariana Lima, Maria Flor, João Miguel, Jayme Matarazzo, Ary Fontoura, Elke Maravilha
Roteiro: Arnaldo Jabor
Produção Executiva: Marcelo Torres
Produção: Francisco Ramalho Jr., Arnaldo Jabor
Direção: Arnaldo Jabor


Maristela Campos 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O que vemos no cenário "verde-amarelo" !?



Certa ocasião lendo um artigo com o titulo “Direito e Democracia” de um professor faculdade de Direito da Unemat chamado Armando do Lago Albuquerque Filho. Dei início a uma serie de divagações acerca do artigo, pois o autor inferia que a democracia em nosso país está engatinhando, visto que existem muitas arbitrariedades, abusos e desmandos que ainda permanecem, chocando-se frontalmente com o direito. A princípio os políticos brindam com os eleitores, taças cheias de promessas, logo após as eleições elas simplesmente se devaneiem como fumaça no ar, ao povo o rigor das leis, a eles como recompensas o direito sagrado de defesa, do benefício da dúvida, recursos, seja ele meramente procrastinatório ou não. Lamenta, porém que alguns daqueles que chamamos de excelência, deveriam usar uniformes de presidiário pelo calibre das falcatruas por eles empreendidas.
       Então decompus: Pode haver direito sem democracia, mas não há democracia sem direito. O que se entende por democracia? E o que é direito? Democracia no principio majoritário, ou seja, residirá sempre na soberania do povo. Direito segundo Strogovic é um conjunto de regras de condutas que exprimem a vontade da classe dominante. Vivemos em uma democracia capciosa, pois a quem confere ser a classe dominante, povo ou legisladores?
      Confere-se nitidamente como classe dominante aqueles que regem, mandam e desmandam no nosso país, por isso vemos os desvios cometidos em todos os níveis da administração publica, acarretando então em uma corrupção generalizada. Quem são os responsáveis?Quem elabora as leis? Então tropeçamos nos benefícios sagrado da defesa e na extrema-unção que lhes são dadas, enquanto os benefícios dos cidadãos que são responsáveis pela sustentação desse país pouca coisa lhe é atribuída como uma miserável aposentadoria e deveres e mais deveres. As Leis, Códigos sempre com suas sutilezas capciosas fazendo com que as sentenças prolatadas nada valham. Pois o legislador tem preferência ao que é pernicioso. ”Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? -Assim é. O roubar pouco é culpa,o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres.[...] Lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos.”(PE Antônio Vieira-Sermão do Bom Ladrão)
      O que vemos  no cenário "verde-amarelo" são bancadas ruralistas, empresárias que assim vão a defesa de seus interesses. No restante do país nota-se a inércia e o descrédito para com governo, porque ao povo nem mais a esperança. “Que são as quadrilhas de ladrões senão pequenos reinos? Pois a quadrilha é formada por homens. É governada pela autoridade de um príncipe. É mantido coeso por um contrato social. E os produtos da roubalheira são divididos segundo leis aceitas por todos. Se, pela inércia dos homens fracos este mal cresce ao ponto de se apropriar de lugares, apossarem-se de cidades e subjugar populações, ele passa a ter o nome de reino, porque agora ele realmente o é, não pela eliminação da cobiça, mas porque a ela foi acrescentada a impunidade.” (Santo Agostinho, 1500).


      A democracia requer o direito para sua conservação, porém o direito vem sofrendo distorções acerca de sua elaboração, interpretação e finalidade. "A pior democracia é preferível à melhor das ditaduras.” (Ruy Barbosa)

Maristela Campos